Um certo dia, o   Buda  e  seu discípulo Ahnanda

partiram para a cidade recolher as doações do dia.  Cho-

via muito e o caminho tornou-se um lamaçal.             

	De repente, Ahnanda observou jóias brilhantes na

lama e avisou o fato ao Buda que então o alertou:       

	-Ahnanda, elas são cobras perigosas...          

	Ahanda concordando, disse:                      

	-De fato, Senhor, elas são  verdadeiras   cobras

venonosas e perigosas!                                  

	Assim, eles passaram ao lado ignorando-as.      

	Um rapaz do vilarejo muito pobre, ouviu toda es-

sa conversa, e aproximou-se do lamaçal, onde estavam  as

jóias brilhando uma mais que a outra.                   

	-Que jóias maravilhosas! Estou rico!            

        Dizendo isso, o rapaz levou os para casa e come-

çou uma vida cheio de extravagância.                    

	Porém, quem  viu esta mudança repentina,   ficou

com inveja e entregou-o ao rei. O rei foi a casa do  ra-

paz para invetigação. O rapaz não  revelou  a   riqueza,

mesmo sobre um rigoroso interrogatório, até que chegou a

ser sentenciado à pena de morte.                        

	O rapaz, percebe então que aquelas duas  pessoas

estavam certas sobre a jóia:"É uma cobra venenosa que a-

gora está querendo tomar a minha vida..."               

	Após essa reflexão, o rapaz desmente sobre o pa-

radeiro da jóia, e admite o erro que cometeu...         

	-Sim, Shakyamuni, aquelas jóias eram   realmente

como cobras venenosas!                                  

	O rei satisfeito com a confissão diz em seguida:

	-Mesmo neste último instante você não   esqueceu

do  ensinamento do Buda! Guarde-o firmemente em sua alma

e esforce-se daqui em diante...                         

	E a vida do rapaz foi devolvida...              



MORAL  DA  HISTÓRIA: 

Nesta história contém 3 observações importantes:



1. O rapaz do vilarejo tomou posse das jóias encontradas

no lamaçal.                                             

	Entre as cinco leis que o leigo budista deve ob-

servar, existe o "não furtar", que significa  não  tomar

para si o que não lhe pertence. Portanto, tomar posse do

achado também é roubar.                                 

2. O rapaz foi contra este mandamento, foi preso. Escon-

deu o fato para o rei, foi condenado à  pena  de  morte.

Mas neste exato momento, ele percebeu que a jóia  simbo-

lizava a sua grande ambição: foi como  se  fosse  picada

por uma cobra e se perder no ego.                       

Reconheceu o seu erro perante o Buda.                   

3. A terceira observação está na postura  nobre  do  Rei

ao perdoá-lo perante o arrependimento do rapaz. Este Rei

provavelmente era seguidor fiel de Buda.                

	Todos nós cometemos erros e enganos. Assim  como

é importante se auto-refletir e reconhecer  os  próprios

erros, é muito importante também, saber perdoar e apren-

der por erros das outras pessoas!                       

4. Assim, através desta história sentimos a  importância

da postura da justiça respeitando o sentimento  de  cada

indivíduo....                                           

                          (extraída da revista Yakushin)




"Bodaiju no Happa"

As Folhas de Bodaiju

No interior do Bosque havia uma grande árvore de Bodaiju. Sob essa árvore sentado Shakyamuni, com os olhos cerrados sem qualquer movimento. À sua frente,começavam a se aglomerar pessoas para ouvir a pregação. Nesse momento, um jovem de olhar austero destacou-se da multidão e aproximando-se, disse em voz alta:

"Você está falando de coisas grandiosas, diz que conhece qualquer assunto, mas é impossível saber quantas folhas há nesta árvore de Bodaiju, pois é incontável. Se é que você sabe, diga-nos!".

"Não sei a que pode ser útil saber sobre uma coisa dessas mas, espere um pouco, irei contá-las.

Assim, o Shakyamuni que fitava um determinado ponto,respondeu com exatidão:

"5 milhões, 3 mil, 749 folhas"

"Hum...vou testá-lo se essa quantidade é verdadeira ou mentira!"

O jovem levantou-se e saiu do local.

Furtivamente, o jovem subiu sorrateiro na árvore de Bodaiju. E com grande agilidade ele arrancou 38 folhas próximas à sua mão e escondeu-as no bolsa.

E então, novamente pôs-se à frente de Shakyamuni, e disse em alta voz como que bradando, pois sua intenção era a de, na frente de todos os presentes, perturbá-lo:

"Perguntei-lhe agora há pouco, mas diga-nos mais uma vez: quantas folhas há de fato neste Bodaiju?"

Shakyamuni, disse sorrindo:

"Há a quantidade que lhes disse antes, menos 38 folhas"

A fisionomia do arrogante jovem repentinamente comprimiu-se; tirando de seu bolso as folhas roubadas, disse:

"Ouçam todos por favor!

Estas são as folhas que furtivamente retirei para testar o poder de Shakyamuni, e realmente aqui tenho 38 folhas.

Mesmo considerando a quantia de 5 milhões e tantas folhas de todo o Bodaiju, cuja quantidade não temos como calcular, estou estupefato ao concluir o fato dele, não ter cometido um engano."

Isto dizendo, prosseguiu enfaticamente:

"Não havendo coisas desconhecidas para Shakyamuni, é evidente que não deve haver dúvidas em suas palavras."

Assim, com ar de muita satisfação, o jovem ajeitou-se bem à frente para ouvir a pregação.

Após esse episódio, o jovem tornou-se monge.

E mais do que qualquer um procede a prática, alcançando a iluminação, e com seriedade difundiu os ensinamentos de Buda.

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